Marjory Dezen – O canto poderoso de uma sereia

Ela é cantora, apaixonada por sereias e é a nossa primeira entrevistada. Senhoras e senhores, com vocês, Marjory Dezen.

KTFG: Vamos lá, fale um pouco de você, quem você é.

MD: Meu nome é Marjory, tenho 27 anos, moro em Osasco, sou professora de inglês e cantora também, canceriana mas a vênus é em Leão!

KTFG: Há quanto tempo você é cantora?

MD: Eu canto desde criança, acho que me percebi cantora com 9 ou 10 anos de idade, mas profissionalmente falando, levando a coisa a sério, comecei só esse ano porque eu tinha problemas com as questões de palco, exposição, etc.

KTFG: Você era muito tímida então?

MD: Eu era altamente introspectiva, não era bem timidez, era medo de ser julgada, avaliada, humilhada, achava que as pessoas nem me dariam oportunidade de mostrar nada que fosse além do meu peso, tinha medo de ser agredida. Nem meu pai sabia que eu cantava, foi descobrir por acaso quando eu já tinha uns 22 anos.

KTFG: Então pode se dizer que a gordofobia teve uma grande parcela aí que te impedia de mostrar o seu talento?

MD: Sim, com certeza, absolutamente, eu não sabia disso conscientemente falando, eu demorei muito mesmo pra processar isso e perceber que a minha timidez, o meu medo de palco tinham correlação direta com as questões de rejeição e agressão que sofri a vida toda, ou seja, a situação de exposição para mim já era um grande gatilho por si só… porque me remetia a todas as questões gordofóbicas que já passei na vida, mas como eu disse, demorei demais pra compreender que isso tinha nome, o que era e o tamanho da extensão dos danos.

KTFG: E como foi que você começou a lidar com essa gordofobia e começou a lutar contra esse gatilho pra que você pudesse finalmente soltar a voz para o público?

MD: Pra mim o grande responsável por tudo isso foi o apoio de todas as manas gordas da internet, tem gente que diz que militância de internet não tem alcance, mas quem diz isso não faz a menor ideia de como a internet pode ser uma ferramenta poderosa na vida de alguém, ainda mais para nós, pessoas que estão acostumadas a na internet sentir maior sensação de liberdade e segurança de poder de sermos quem somos, encontrando outras pessoas que passam e passaram pelo mesmo que nós, sabendo que não estamos sozinhas e conhecendo as histórias de superação e enfrentamento das outras, seus desabafos, suas inseguranças, seus medos… Isso vai criando dentro da gente a ideia de representatividade, de que nós também existimos, que somos visíveis, que também podemos ter nosso espaço e nosso valor. Foi dentro de tudo isso que fui aprendendo o que é o empoderamento e fui trabalhando minha autoestima e claro, uma coisa acabou sendo consequência da outra, como numa grande corrente do bem, a gente vai se sentindo melhor sobre nós mesmas, nos transformando e ajudando a transformar outras e sendo ajudadas por outras a nos transformamos e à partir do momento em que você atinge um certo nível de consciência de si e de seu valor, todo o resto se torna mais fácil, foi exatamente nesse ponto que meu primeiro vídeo cantando surgiu, a resposta foi tão positiva, o feedback tão bom, que por fim fui conseguindo quebrar esse medo da exposição de forma bem tranquila e natural, me sentindo amada, reconhecida e incentivada a fazer aquilo que eu sempre quis fazer.

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Diva né, mores…

KTFG: Você acha que já está totalmente empoderada ou acha que ainda falta um caminho a percorrer?

MD: Eu acho que sempre falta um caminho a percorrer, mas não só para nós gordas e sim para todo mundo que tem inseguranças com as questões corporais, sei que para nós gordas a coisa é bastante complexa e engloba uma série de outras coisas que são externas e fogem ao nosso controle mas o que podemos aprender a controlar é nossa visão sobre nós mesmas, trabalhar isso é a melhor maneira de conseguir encarar a todo o resto, porque estando de bem conosco todo o resto se torna mais tolerável, mas acho que devido a tudo que maioria de nós acaba passando durante a vida pela leitura social das pessoas gordas, seria hipocrisia da minha parte dizer que acredito que o empoderamento total é algo fácil, é possível? Sim, claro que é, mas é um trabalho de longo prazo e que requer muito amor, determinação e paciência, consigo mesma e com o mundo.

KTFG: Quais são seus planos futuros de carreira e de vida?

MD: Eu acho que procurar aperfeiçoar tudo isso, tudo que venho aprendendo dentro da descoberta do meu eu, dentro do empoderamento que venho vivendo, colocar em prática a vivência, a leveza do ser que nunca pude ter e que nunca pude aproveitar, sem amarras, sem medos de julgamentos, poder me sentir dona de mim e com tranquilidade para expressar a essência do meu ser, meu plano é continuar tentando passar isso para frente: desconstruindo meus alunos que são as pessoas com quem entro em contato diariamente, acredito que mudando um pouco disso e daquilo no pensamento deles estou plantando uma semente para melhores pessoas não só no futuro mas também no agora, principalmente em termos de aceitação e abraço das diferenças, então essa é minha forma de tentar fazer isso através do questionamento, do abrir da mente e a minha forma de tentar fazer isso, através da emoção, será continuar levando a minha carreira de cantora pra frente para que eu possa mostrar também a identidade não só do meu corpo mas também da minha alma e tudo que isso representa, tocando o máximo de pessoas que eu conseguir e quem sabe assim, inspirar outras pessoas com histórias como a minha a fazerem o mesmo!

KTFG: Pra finalizar, qual o conselho que você daria hoje para as leitoras que estão se empoderando?

MD: Acho que é o conselho que eu mesma procuro sempre me lembrar de dar pra mim mesma. Peguem mais leve consigo mesmas, por que é possível ter olhos de amor, carinho e compaixão com o resto do mundo mas consigo mesma não? Não seja tão juiza de si mesma, você não precisa disso. Que tal, pra variar, se tornar sua incentivadora?

Para conhecer mais o trabalho dessa maravilhosa, acesse o FACEBOOK e o YOUTUBE.

A seguir, uma música interpretada por ela.

kiss the fat girl assinatura

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