Não tem problema em criar as divas da militância

Neste mundo da militância é muito importante conhecermos o trabalho de outras pessoas como nós e também de outras lutas, outras pautas. Não só para saber como elas pensam mas também adquirir conhecimento. E várias vezes eu leio textos onde problematizam a criação das divas da internet. Na boa, para mim o problema nunca foi, não é e nunca será criar as divas da internet, mas essas divas acharem que são detentoras de todo o poder e da verdade.

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#Acessível: uma figura em movimento do filme Garotas Malvadas dizendo “Você não pode sentar conosco!”

Nós sabemos que é muito difícil ter espaço para gordos nessa sociedade. São poucos aqueles espaços que conquistamos e agora, não sei por que cargas d’água, existem as rainhas gordas, as chefes do RH das gordas que andam querendo decidir quem faz o que ou não e pasmem, andam excluindo gordas do rolê. Ou seja, pessoas que sabem que já somos excluídas da sociedade e que continuam sendo excluídas da sociedade estão excluindo pessoas já excluídas dos poucos espaços que conquistamos. Isso é um absurdo.

Obviamente existem aquelas em que a gente mais se espelha. Existem aquelas que conseguem passar mensagens excelentes e que conseguem passar de uma maneira incrível. E elas acabam sim se tornando nossos modelos, nossas divas, nossas representantes. Só que essa ideia de que existe algum poder ou que esse poder deve ser usado para a exclusão é uma close muito errado.

close-errado

Diariamente eu recebo comentários, mensagens, e-mails de pessoas falando várias coisas e sim, existem aquelas que me chamam de diva. Eu agradeço pois pra mim é um elogio e um reconhecimento delas ao meu trabalho (que não é mole). Se eu realmente sou uma dessas divas aí eu sei lá (confesso que num mundo em que vive Cyndi Lauper acho difícil me achar diva haha), mas de qualquer modo não vou me achar dona da verdade nem chefe do RH das gordas só porque alguém curte meu trabalho.

Tem muita gente com discurso de eu amo todo mundo as pessoas que me odeiam que justamente são aquelas que escolhem quem são as manas do rolê e aproveitam de sua influência para acabar excluindo as que não usam rosa às quartas-feiras.

Faz tempo que eu vejo que a gente está problematizando algumas coisas erradas. Não é errado você ter um grande poder aquisitivo e reclamar que a sua Ferrari deu defeito (na moral se eu pagasse por uma Ferrari ela estaria proibida eternamente de dar defeito). Errado é achar que o seu problema com a Ferrari é maior do que os outros do mundo. Não é errado você ser gorda e querer emagrecer. Errado é achar que todo mundo deve fazer isso. Não é errado ter a sua diva e declarar seu amor pela sua diva. Errado é a sua diva achar que ela é o último copo de abacaxi com hortelã do deserto. Isso sim é errado. E isso deve ser prevenido não deixando de admirar ou escondendo sua admiração pelas pessoas, mas dando aquela cortadinha básica nas asinhas da pessoa.

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#Acessível: Figura em movimento de uma drag dizendo “Por favor pare imediatamente”

Não tem problema você ter suas deusas, suas divas. O que te representa pode não me representar e vice-versa. A gente só tem que se lembrar de que se formos uma dessas pessoas admiradas, não podemos excluir pessoas que já sofrem de exclusão pela sociedade. E se formos uma pessoa que admira quem exclui, então tá na hora de rever os conceitos.

kiss the fat girl assinatura

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