Vamos ver a gorda falar de amor

Gregório Duviver fez um texto falando de amor que dizem que pe uma carta, dizem que é marketing. Rafinha Bastos fez uma dizendo que amor de verdade não tem poesia ou trilha sonora. Então acho que chegou minha hora de fazer uma declaração SOBRE amor.
As pessoas que olham hoje para a minha vida podem dar risada falando “Logo você quer falar de amor? A mulher que decidiu que não quer se casar e não quer ter mais filhos?”. Posso não ser dos amores padrão que vocês estão acostumados. Não tenho um companheiro para a vida, não quero procriar mais do que eu já procriei, meu sonho mesmo é quando minha cria crescer eu pegar com ela um mochilão países afora antes de ela entrar na faculdade (isso SE ela quiser uma faculdade, a escolha não é minha). E neste sonho não cabe um outro “amor” (que vocês já logo pensam em forma de um homem). Cabe no máximo uma gata viajante que eu quero chamar de Coraline Jones. Mas não vem ao caso agora.
Na minha vida de relacionamentos eu não posso dizer que vivi um amor tranquilo com sabor de fruta mordida (seja lá que raio de gosto é esse) mas eu também não posso dizer que só tive infelicidades. Eu fui feliz em todos eles. E no final sempre fui muito infeliz.
Fui infeliz porque incrivelmente não tinha a maturidade de encarar o fim do relacionamento e tentamos – eu e meus ex – a qualquer custo fazer algo que não dava mais certo funcionar. Já passei por traição, infidelidade, deslealdade, brigas, abandono emocional, por muita coisa ruim que eu não quero pensar e não desejo para ninguém. Mas já passou e bola pra frente.
Eu não sou uma pessoa traumatizada com relacionamentos, só cansei mesmo de procurar um amor no meio daquele monte de pênis não solicitados pipocando no meu inbox. Sério, não tenho paciência mais. Então simplesmente comecei a amar minha própria companhia de uma tal forma que não preciso e nem quero mais alguém do meu lado. Não preciso. Não desejo. Mas ninguém pode dizer que eu nunca amei. Já tive meus amores sim e vou falar um pouco deles.
Não conheci nenhum dos meus amores no jazz ou nos inferninhos de São Paulo. Não tinha nenhumA travesti performando e não me lembro se tinha música ou não. Conheci meus amores no teatro (quando eu ESTUDAVA teatro), na internet e através de um ex-amigo que eu tinha conhecido também pela internet. Amei. Fui amada. Depois acabou.
Nos meus amores teve poesia, teve música, teve filme (não fizemos, mas assistimos muitos juntos). Teve carta de amor. Teve skype virando a noite. Teve telefonemas longos. Teve um, dois, três pedidos de casamentos. Todos aceitos. Nenhum concluído. Teve cantoria no trajeto do ônibus, teve no meu aniversário, teve no aniversário deles. Teve desenho. Teve teatro. Teve brigas. Teve cagada de porta aberta. Teve um deles massageando minha barriga com tanta dor que eu pensei que ia morrer, mas eram só gases e acreditem, teve risada pra caramba quando eu peidei (flashnews: eu peido).

Meu amor teve jazz, gastronomia (comíamos sempre no Outback ou no Sushi), teve debate sobre cisgênero, transgênero, feminismo, machismo, direita, esquerda. Não tinha briga pelo lençol nem pelo cobertor porque usamos a cabeça e cada um dormia com o seu (e até hoje faço o mesmo com minha cria).Dividíamos o carregador de bateria mas cada um também tinha o seu (não tem essa de o que é meu é seu comigo). Já fiquei puta quando ele não atendia o celular mas também já não atendi o celular. Já fiquei feliz de estarem todos vivos, mas fiquei mais feliz ainda quando recebi flores (sim gosto de flores), presentes e outros mimos daquele tipo “hoje é terça-feira então resolvi te dar um presente”. Meu amor teve várias trilhas sonoras que iam mudando com o tempo (algumas que demorei anos até ouvir de novo e duas que não ouço mais). Meu amor nunca teve confiança da senha da Netflix (e nunca terá). Meu amor já me indicou séries que eu só fui assistir 2 anos após o fim do namoro. Meu amor já me indicou músicas que eu amo até hoje e uma que um deles compôs.

Meu amor teve cores, texturas, aromas. Não fizemos risoto mas era cada cebola com batata frita que só quem comeu sabe como é (e ainda faço com um arroz amarelo de açafrão). Meus amores foram do jeito que quisemos, do jeito que construímos. E todos foram de verdade. Mesmo que por um breve momento. Mesmo que por um segundo. Foi sim amor de verdade e quem ousar dizer que não, está errado.

Amor é como cada um sente e isso não determina quem vai ser um bosta ou não. O amor sozinho não segura a falha no caráter das pessoas. Não freia pinto de ninguém. Isso é um esforço à parte.

Meu amor teve ciúme descontrolado que hoje eu já aprendi que estava super errada. Meu amor teve sexo pós briga, sexo pra comemorar aniversário, sexo pra matar a vontade, sexo pra caramba. Meu amor teve muito abraço. Meu amor teve chamada pelo socorrista do shopping quando ele passou mal e desmaiou no banheiro. Meu amor teve futilidades. Meu amor teve muito.

Amor de verdade é como cada um sente. Não cabe a ninguém dizer o que foi ou não amor.

 

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