Ser “ex gorda” não te livra de ser gordofóbica

omoGostaria de ganhar apenas 1 real cada vez que eu aponto uma gordodfobia e eu vejo a pessoa argumentar com “Eu já fui gorda, sei do que estou falando”.

tio patinhas

Acontece que ter sido gorda no passado – isso se você realmente foi gorda – não te livra de ser gordofóbica hoje. Pelo contrário, a coisa pode piorar muito e você se tornar o que eu gosto de chamar de opressora de carteirinha (aquela que sabe bem o que faz).

Primeiro que dizer o quanto você pesava não quer dizer NADA. Você pode ter sido gorda com 80 quilos (como eu sou), você pode ter sido magra com 90 quilos. Tamanho de roupa também não identifica se você era ou não gorda. Tudo depende de vários fatores que não vamos ficar falando neste momento. Mas como já disse anteriormente, sabemos BEM diferenciar uma pessoa gorda de uma magra. Então antes de começar com o discurso “já fui gorda”, analise BEM com a consciência ativada se você realmente foi uma gorda.

Se você foi uma pessoa gorda e você não é mais, entenda que você não tem mais lugar de fala no coletivo gordo. Você agora, querendo ou não, passou para o lado opressor e a sua função agora é se policiar e desconstruir suas próprias atitudes e respeitar o nosso local de fala. Caso tenha dúvida, eis um explicativo perfeito abaixo feito pelo Elas por Elas:

Local de fala

Não é que você vá ser aquela pessoa que sai rindo, batendo em gordo e falando alto nos restaurantes É POR ISSO QUE TÁ GORDA. Por favor, não seja! Mas certas atitudes pós-emagrecimento (em especial o grupinho da bariátrica) são intensamente gordofóbicas e você não percebe. Um exemplo é a Síndrome de Mônica Geller.

Em um resumo bem básico, a Síndrome de Mônica Geller é ter um comportamento tal qual a personagem de Friends, que emagreceu de uma forma muito duvidosa em apenas um ano apenas para conquistar a atenção de um cara que foi bem escroto com ela. Não importa o quesito saúde, não importam as inseguranças que a personagem mantém e, como ela mesma diz, uma necessidade de agradar os outros. O importante é que ela é magra agora, o suficiente para tratar a antiga “si mesma” como um inimigo que deve ser abatido.

Outro grande problema é você ficar postando fotos de antes e depois como se você fosse a Fiona no antes e depois do pôr-do-sol. O pior de tudo é que no antes as pessoas geralmente pegam aquela foto de ressaca de 3 dias de rave com uma cueca na cabeça e olheiras dignas de fazer inveja a qualquer panda e no depois aquela foto de quando foi à ópera na Itália depois de passar 12 horas no salão de beleza com tratamento completo. Mais desonesto que isso nem campanha política.

fiona.gif

Outro comportamento que é muito irritante é ficar falando mandando indireta praquele ex que foi um babaca quando você era gorda, reforçando a ideia de que antes você era feia e agora é linda, como se gordas não fossem bonitas. Veja bem, se um cara foi babaca com você no passado, a tendência é ser babaca com você no presente e no futuro e se ele for legal só porque você emagreceu, então ele não quer saber de você, só de aproveitar seu corpo enquanto ele achar que vale a pena. Aliás, preste atenção em como as pessoas antes eram escrotas e agora são amiguinhas que dão vários likes nas suas fotos. Sabe essas? Então. Não confie nelas. E não seja uma delas.

Mais um comportamento que você deve prestar atenção é quando você vai até uma publicação que fala sobre gordofobia e fala “eu era gorda e não me sentia ofendida com isso”. Não importa se você na sua exclusividade não se sentia ofendida com isso (o que é muito difícil de acreditar porque se você buscou emagrecimento, pode ter certeza de que a gordofobia foi um fator que influenciou nesta decisão). O que importa é que você não está mais neste local de fala e somos nós quem vai dizer o que nos ofende atualmente ou não. E mesmo pessoas gordas que hoje dizem que não se ofendem com uma reclamação, não significa que não seja real, significa apenas que não são desconstruídas o suficiente para enxergar algumas coisas.

Outra coisa que irrita profundamente é começar a “incentivar” pessoas gordas a emagrecer da mesma forma que você fez. Sabe, ir na caruda e dizer o quanto sua vida mudou, que a pessoa precisa fazer aquilo, ainda com aquele “VOCÊ PODE, VOCÊ CONSEGUE!” com aquele pique de líder de torcida? Pois é. Eu POSSO. Eu CONSIGO sim. Mas quem disse que eu QUERO? Sabe, se você quis, seja muito feliz com isso. Mas nem todo mundo quer e essa decisão compete a cada um. Não são seus pompons coloridos do emagrecimento que vão nos fazer mudar de ideia. Aceite. Respeite.

Este comportamento pode indicar que você antes odiava tanto ser gorda que hoje você reproduz isso em cima das pessoas que hoje são gordas. Muitas vezes eu leio pessoas falando que não eram felizes quando eram gordas e se tornaram felizes após emagrecer. Quando você é infeliz você não precisa de uma dieta, precisa de uma terapia.

São inúmeros os comportamentos que você pode ter diariamente que podem ser gordofóbicos. Cabe a você entender isso e se policiar para que não fique tendo essas atitudes que antes a machucavam. Ter empatia nos dias de hoje é extremamente necessário. O mundo já nos machuca bastante, não precisa de mais uma pessoa se tornando um opressor. Ouça, respeite, entenda. O mundo agradece.

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