Seja imperfeita

Em um milagre da vida, eu – mãe – consegui ir ao cinema ver um filme adulto. ADULTO eu disse, não pornô. Pornô é filme pra adolescente. Adulto gosta mesmo é de ver propaganda de frigideira que não gruda.

ovo
Ai gente olha que lindo esse ovo deslizando

O filme em questão era “Perfeita é a mãe” (Bad Moms) que conta a história de uma mãe cujo marido bundão sai de casa por um relacionamento virtual – o problema nem é esse, o problema é não ser homem o suficiente pra dizer que não quer mais o casamento antes de se envolver – e a mãe que faz tudo perfeitamente acaba tendo um insight e desafia a presidente da APM que tem um nome bizarro e é interpretada pela Christina Applegate e acaba gerando uma revolução extremamente divertida.

O ponto principal é que esta mãe, Amy, saca que umas ficam julgando as outras e enchendo os filhos de atividades extracurriculares, enchendo a vida dela de compromissos e ela sacou que ela estava ficando louca. Mesmo quando as coisas dão uma guinada – é uma comédia comercial então sim, é clichê – ela não vai esfregar as coisas na cara das pessoas que ficaram contra ela, mas ela oferece apoio e fala que elas poderiam parar de se julgar, que todas as mães são “ruins” porque não são mães perfeitas conforme a sociedade pinta. E ninguém é mesmo perfeita.

Se há um post que deu o start no meu empoderamento de forma real foi este aqui do Lugar de Mulher, quando eu enviei um e-mail (sim este e-mail é meu) para a Polly falando que eu tinha uma chance com um cara na época mas tinha medo de ele rir do meu corpo; e ela me deu a resposta que resolveu a maioria dos meus problemas de autoestima na época. E a minha parte preferida, aquela de quando caiu a ficha de vez, foi:

Porque a gente meio que já anda por aí com um carimbo de IMPERFEITA na testa né?

Foi no exato momento em que eu li isso que tudo fez sentido. Só que nem sempre a gente se lembra disso…

Depois deste dia, várias vezes eu tentei ser perfeita. E várias vezes eu lembrei que não preciso. E várias vezes eu voltei a tentar… E por aí vai num ciclo sem fiiiiimmm… Mas não sou só eu quem faz isso e não é só culpa nossa quando fazemos isso. É toda essa pressão de uma sociedade em cima das pessoas.

Embora falar disso seja muito amplo, vou aqui restringir. Durante o filme tem uma parte apresentada no trailer onde a Applegate fala sobre o que as mães não devem usar no bolo e, pensando bem, se algum daqueles bolos não era de areia, eu não sei do que eram. E hoje em dia a situação está bem assim.

É óbvio que eu entendo que refrigerante faz mal, sucos de caixinha são nocivos e nada naturais, consumo de açúcar isso, transgênicos aquilo, etc. Só que a cobrança está simplesmente demais em cima da gente.

Tem que se alimentar de forma X, exercitar de forma Y, seguir conselhor do doutor Z, tem que proibir as crianças de fazer isso, de fazer aquilo, tem que educar sem dar bronca, tem que entoar um mantra W, demonização da pílula anticoncepcional sem qualquer respeito a quem PRECISA desta para tratamento, demonização da cesárea sem qualquer respeito à escolha da mãe – não, eu não quis ter cesárea mas no final era tudo o que restava de opção e não vou falar sobre meu parto aqui – demonização da amamentação artificial esquecendo que tem mulheres que simplesmente não produzem leite. De certa forma, o novo politicamente correto está se tornando uma ditadura tanto quanto a do lado oposto. E quem não segue isso é julgado e condenado DA MESMA FORMA. Em outras palavras: crie seus filhos e viva a sua vida da forma que VOCÊ achar melhor.

bad moms.gif

É um saco tentar agradar a sociedade a cada época que passa. Aliás, tem uma cena em que a Amy diz que cada vez que ela está conhecendo os filhos dela, tudo muda e volta à estaca zero. E isso acontece com a sociedade. Antes uma coisa era legal, agora outra. Antes uma coisa era pra frentex, hoje outra coisa é hype. Se a gente tentar seguir tudo o que os gurus da vida disserem, nós nunca vamos viver.

mulher imperfeita

Se tem algo que eu me orgulho MUITO é meu carimbo de imperfeita peramte a sociedade. Não pelos motivos que todo mundo acha, que são errados, que seriam porque eu gosto de afrontar pessoas. Até gosto, mas não é o motivo. Quando eu ando feliz com meu carimbo de imperfeita eu sinto duas coisas: o que eu quiser fazer não vai depender da aprovação de (quase) ninguém (digo quase porque se envolve alguém além de mim, obviamente preciso que estejam de acordo mesmo se for pra subir no ônibus); e eu sinto que estou mudando o pensamento de uma sociedade que não está ok pra mim.

Eu sempre digo que ser revolucionário só pela revolução é um derperdício de energia. Não deve ser só pela briga, pela afronta, pela voz. Uma revolução pode ser silenciosa e ainda assim trazer grandes mudanças a uma sociedade.

Desde que a gente nasce menina, nós recebemos diversas orientações de como ser fina, delicada, princesuda, perfeita.

Você não tem que ser perfeita. Você não tem que tentar ser perfeita. Você não tem que passar a vida toda em dieta ao menos “mostrando que quer melhorar” (melhorar O QUE?). Você não tem que se culpar quando dá uma atrasada de vez em quando pra levar as crias pra escola, não tem que se culpar quando quando algo dá errado. Errar faz parte do processo de evolução, que é a revolução dentro de você. Você não tem que sair agradando ninguém que não seja você (lembrando que AGRADAR é uma coisa e RESPEITAR é outra, ok?).

Liberte-se de todas as amarras, de toda a sina da perfeição e você vai ver como a sua vida vai melhorar.

FAT KISSES 4U2

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