Ser confiante é questão de sobrevivência para a mulher gorda

Estava de boas lendo uns textos na internet quando eu comecei a reparar que mesmo em 2016, em plena era do empoderamento, ainda tem portal que insiste em dizer para as mulheres que elas não aparentem ser confiantes demais porque isso assusta homens. Amiga, se quer uma dica, o que assusta homem é virar a cabeça pra trás e vomitar verde.

Uma mulher confiante – não sei por qual motivo – ainda é tida como tabu. Os estereótipos de princesas indefesas, eternas donzelas em perigo, ainda estão muito reforçados na sociedade atual e existem pessoas na comunicação que, ao invés de ajudar a quebrar isso, tentam desesperadamente reforçar por alguma razão ainda desconhecida. Talvez a moda retrô esteja indo longe demais, ultrapassando a moda e a decoração para tentar resgatar os pensamentos? De qualquer forma, não está funcionando e isso não é problema meu por um motivo muito óbvio: ser confiante é questão de sobrevivência para as gordas.

O que eu vou dizer aqui serve tanto pra relacionamentos quanto para trabalho quanto para qualquer coisa na sua vida. Então presta atenção porque o assunto é sério.

Atenção

A gente já sabe que a sociedade não dá mole pra mulher. É diferença salarial, diferença de oportunidades, pessoas puxando o seu tapete só por terem a masculinidade afetada. Nós podemos ter doutorado e concorrer a um mesmo cargo com um homem que nem tem ensino superior e ainda ter grandes chances de perder. Bom, sinto dizer, mas estas chances diminuem demais quando você é gorda. Isso pra todas as áreas da sua vida.

A gente já cresce ouvindo que se não emagrecer nenhum homem vai querer nos namorar – partindo de uma ideia de que desejo masculino é termômetro para sucesso e de que todas as mulheres são heterossexuais, o que está ERRADO -, que o caminho para o sucesso obrigatoriamente inclui emagrecer (ou pelo menos passar a vida tentando), que pessoas gordas não devem ser contratadas porque obviamente são descontroladas e indisciplinadas. Ou seja, autoconfiança não é algo que te ensinam.

A gente passa uma boa parte da vida acreditando que por ser mulher devemos seguir um padrão de feminilidade X, não mostrar muita confiança pra não assustar e se for gorda não tem motivo pra ter alguma confiança em si.

Só que se tem uma coisa que aprendemos ao longo dos nossos textos é que gordas são gente. E gente precisa comer. Precisa se vestir. Precisa pagar contas. Aliás, o nosso guarda-roupas custa no mínimo o dobro não por luxo, mas pela exploração que a indústria da moda tem em cima de tamanhos maiores se aproveitando do desespero e da falta de oferta para nos cobrar preços exorbitantes para que a gente não saia pelada por aí. E pra tudo isso precisamos de um emprego. Além disso, muitas de nós quer um relacionamento. Quer se casar, ter uma família, quer namorar, quer transar. E é complicado atingir esse objetivo quando nem se tem coragem de sair de um relacionamento virtual onde podemos manter nossas fotos no rosto e, se possível, dar aquela reduzida na papada com o photoshop. Na real, se depender da nossa sociedade, gordas não saem de casa.

rua
Licença, to passando

Quando saímos de casa, sabemos que vamos enfrentar olhares no ônibus correndo o risco ainda de alguém reclamar no twitter de que sentou ao lado da gorda (problema seu meu amor, vá de Uber), se formos tomar um café em uma padaria, as pessoas olham como se não tivéssemos o direito de comer, se saímos com uma roupa que não seja uma burca, as pessoas julgam o que estamos vendendo e, claro, sempre tem aquele panfleteiro daquela empresa com milkshakes dietéticos toootalmente naturais enfiando o papel na sua fuça.

arvore
Milk shakes naturais. Não aceite imitações

No trabalho, se você precisa se apresentar, sempre vão ter aquelas pessoas prestando mais atenção na sua roupa e no seu corpo do que no método revolucionário econômico que vai tirar a empresa da lama que você apresentou. Isso se você tiver um emprego, porque a crise existe para as gordas desde sempre. Até concursos públicos ilegamente dispensam pessoas gordas por serem GORDAS.

São muitos os desafios diários de enfrentar a vida quando as pessoas investem todo o seu esforço, tempo e muitas vezes um dinheiro em tentar empatar a sua existência. Nada pessoal, mas é que não passa “uma boa imagem”, sabe?

besteira

Em um relacionamento então, as chances de encontrarmos a gordofobia na família do namorado é incrível. Aqueles comentários maldosos nas festas ou aqueles olhares quando você conhece a família do cara. Nada contra você, mas sabe como é, sempre esperam alguém melhor né? ……………………………….

Como eu disse anteriormente a sociedade não dá mole. E quando a gente consegue, depois de muito trabalho, empoderamento, choro, luta, ter confiança em si mesma, sempre tem aquele texto que fala que você não pode ser confiante demais pra não assustar ninguém ou que pra você se sentir alguém tem que permitir. Permitir o car…amba! Eu não gastei horas de empoderamento pra alguém vir e autorizar ou não a minha pessoa a ter confiança. A confiança é minha e ninguém tasca!

Não é fácil viver como mulher. Não é fácil viver como gorda. Não é fácil viver como uma mulher gorda confiante. Isso incomoda. Isso afeta. Isso enfia o dedo na ferida. Mas isso é questão de sobrevivência no mundo de hoje.

Se você está se empoderando, aqui vai um aviso: as pessoas vão tentar te derrubar. Não desista. Persista. Confiar em si mesma é a maior arma contra o preconceito e o maior degrau para o seu sucesso pessoal. O resto? Que se f…

FAT KISSES 4U2

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2 comentários

  1. Amei!!! Concordo e adiciono que “ser confiante é questão de sobrevivência para as mulheres”. Nós somos menosprezadas por sermos magras demais, altas demais, baixas demais, negras, lésbicas, gordas, pobres e etc… (…reticencias sem fim rsrsrs…)
    Não é fácil viver como mulher, não é fácil viver como mulher negra, não é fácil viver como mulher, negra, gorda, divorciada e com um filho. Mas quer saber eu me amo, neste ano eu resolvi emagrecer, por motivos de saúde meu filho precisava emagrecer, eu fiz a reeducação alimentar junto com ele. Eu eliminei dez quilos, meu filho três, fazemos academia, por questão de saúde. Hoje estou sete quilos acima do “peso ideal” (o peso ideal não deveria ser aquele ao qual me sinto bem?), já não ouço mais comentários maldosos, como:- era tão magrinha antes de engravidar; seu filho já ta mocinho, né, ta na hora de perder peso; você amamentou?, dizem que quando amamenta emagrece mais rápido; ta grávida? Sete anos e não emagreceu ainda? (agora só o olhar de desdem), mas ainda assim, tem pessoas que falam e apontam, julgam, e tentam me derrubar.
    É difícil ser mulher!!! Mas de maneira nenhuma permito que me tirem o direito de ser auto confiante, de ser dona de mim, eu é que mando nessa p@#$*&a. Estou bem comigo mesma, não permito que me tirem isso.

    Obrigada por falar, adoro seus textos beijinhos …

    Curtido por 1 pessoa

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