Tamanho gorda, por favor

Eu estava lendo este maravilhoso texto da Kalli do Beleza Sem Tamanho sobre modelos plus size e fiquei pensando cá com meus botões a respeito dessa coisa toda de gorda, plus size etc. Acontece que, por mais que a gente relacione plus size com gordas, plus size não significa gorda. Significa apenas “tamanho maior”.

Nós sempre usamos eufemismos para esconder a palavra GORDA. Cheinha, fofinha, gordinha, fortinha, roliça, redondinha, grandinha, um monte de inha e… Plus Size que, apesar de ser um termo correto, usamos da maneira errada.

Plus size é um termo usado na moda que significa TAMANHO MAIOR. Plus (mais/maior) Size (tamanho). Ou seja, pode ser muito bem a opção de uma mulher mais alta ou com uma estrutura corporal mais larga, mas ainda assim magra. Só que como estamos acostumados a atribuir coisas pelo mundo, acabamos relacionando Plus Size diretamente com as gordas que, tecnicamente, seriam as consumidoras destes tamanhos maiores do que o GG. Isso não deixa de ser uma verdade, afinal somos consumidoras. Mas não somos o foco das campanhas e nem das vendas. Mais uma vez precisamos nos espremer para tentar nos encaixar em um padrão, caso contrário andemos peladas por aí.

ball
I came in like a wrecking baaaaall

Quando eu chego em uma loja e as vendedoras me perguntam qual tamanho eu quero, eu já mando um “Tamanho gorda” ou então “Tamanho eu, moça por favor”. Isso porque a maioria das gordas têm barriga. E não é aquela pancinha deboinha não. É uma senhora barriga com todo o respeito que ela merece. Se for mãe então, as chances de ter a “pança” ou o “avental” são enormes. E nem sempre a gente tem a cintura mais fina. Então não tem como chegar e ver uma marca de esportes falando que colocou plus sizes na campanha (que pra mim continua sendo mais padrão ainda) e só ter um bendito sutiã esportivo que serve até um 48/50 sendo que muitas gordas que eu conheço usam 54 pra cima. Eu mesma sou mega peituda dá pra ver nas minhas fotos, então uso 56. Como eu vou fazer atividades físicas mais movimentadas com as peitas balançando? Nem dá! Isso apenas porque o tamanho plus size não contempla gordas. E antes que você venha me falar que sim, que contempla, eu vou dar uns exemplos.

Quando você chega a um setor que é plus size, quais são as peças mais comuns? Batas, camisetas largas, blusinhas mais largas e quase nada com cintura, calças com mais cintura têm pernas enormes que se a pessoa for baixinha como eu, dá pra fazer mais duas calças e uma bermuda com o pano que sobra da barra. Tudo pensado para que “caiba o máximo de corpos possível”. Se compararmos direito, são poucas as peças mais acinturadas ou mesmo mais ousadas, curtas, coladas. Não só pela constituição de vestes para gordas criada por um grupo de pessoas que sequer nos conhece, com suas regras e leis, mas porque seriam peças mais arriscadas a não servir em muitas pessoas que deveriam ter X padrão de corpo gordo e daí ficariam peças “empacadas” nos estoques. A moda plus size vendida em grandes lojas de departamento – que é a mais consumida devido à facilidade de encontrar e seus preços não tão exorbitantes quanto lojas especializadas – se baseia no cálculo básico de “aumenta na horizontal e na vertical que tudo dá certo” e assim não respeita a variedade dos corpos. Basta lembrar da premissa de que se a roupa for mais larga sempre dá pra apertar. Isso, claro, QUANDO eles aumentam o tamanho, porque tem muitas lojas que vendem uma roupa totalmente incompatível com o que diz a etiqueta, como neste caso aqui.

Sei que melhorou muito o acesso a roupas de uns tempos para cá. Temos mais opções, com uma variedade maior de preços, mas ainda assim não solucionou nosso problema. Mesmo que as roupas sejam para gordas, a indústria ainda tenta nos padronizar. São poucas as loja que buscam representatividade, como a Lollaboo para dizer “aqui você é bem vinda!”. Quando as lojas vendem roupas até o 60 mas mostram ujma modelo 38/46, a mensagem que estão passando é “Seu dinheiro serve para mim, seu corpo não”. E na boa, fica difícil querer consumir algo onde a gente não se enxerga.

lollaboo

Para driblar essas dificuldades, meu conselho é: CONSUMAM PEQUENAS MARCAS. Sempre apoiem o negócio local. Assim você tem mais chances de conseguir um atendimento satisfatório, um produto de qualidade e ainda ajuda aquele pequeno negócio a crescer. E se for uma costureira, melhor ainda. Ela faz do jeitinho que você quer, nas suas medidas e você ainda pode dar aquele toque a mais com a sua criatividade. Enquanto isso, vamos esperando o dia em que venderem tamanho gorda nas lojas porque olha… NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL!

 

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